01 março 2011

Aprender a patinar – Crianças X Adultos


Aprender a patinar não é nenhuma arte escondida entre os dominadores das rodinhas, desenvolver o controle do corpo e aperfeiçoar o equilíbrio nos finos movimentos da patinação é algo que qualquer indivíduo pode aprender. Obviamente esse aprendizado varia de pessoa a pessoa, conforme as atividades físicas desenvolvidas durante a vida e sua fase de aprendizado motor.

Nessa matéria vamos analisar as principais diferenças no aprendizado da patinação em diversas fases da vida, observando os níveis neuromotores e psicológicos relacionados à atividade.

A psicomotricidade é a ciência que estuda os movimentos do corpo através dos comandos da mente e seus níveis de aprendizados. Essa ciência dentre seus diversos assuntos trouxe à tona as fases de aprendizado motor e de execução de tarefa, as quais foram divididas entre os principais grupos, como segue o quadro abaixo.

Período
Faixas Etárias Aproximadamente
Sensório-motor
Nascimento até 1 1/2 a 2 anos.
Pré-operatório
2 a 6-7 anos.
Operatório Concreto
6-7 anos a 11-12 anos.
Operatório Formal
11-12 anos até a fase adulta.

Piaget e Wallon foram dois desses cientistas que analisaram tais fases e criaram modelos usados até hoje, onde cada fase tem características dominantes que definem o aprendizado dos indivíduos de forma generalizada.

Quando se atinge a fase adulta, que se dá ao fim da adolescência, a qual ainda é discutida por diversos autores, a mente está com sua programação motora praticamente finalizada, quando geralmente não há nada em nível de “sobrevivência” para se aprender sobre o caráter psicomotor.

A partir desse ponto que avaliamos a grande diferença do aprendizado de uma criança sobre um adulto, onde a mente infantil está aberta as novas captações motoras e a dos adultos reduzida nesse aspecto, porém não somente este ponto gera essa diferença.

O fato é que os adultos em geral possuem mais responsabilidades que as crianças, adultos esses criam bloqueios mentais na possibilidade de se machucar, afetando assim sua vida no dia a dia e reduzindo a permissão mental para maiores ousadias.

Quando me refiro a ousadias, digo sobre o fato de que mente e o corpo trabalham com trocas de informações constantes, essa chamada de “feed back de informação”, onde a mente é responsável por tudo que aprendemos e utilizamos a nível motor, como se fosse um calibrador, quanto mais ousado ou exagerado o movimento for, mais informações serão levadas até o cérebro, e consequentemente, ampliando o aprendizado.

Só que obviamente quanto mais se ousa, maior é a possibilidade de quedas, as quais muitas vezes deixam um adulto fora de ação, e a criança simplesmente levanta e retorna sua brincadeira. Porque isso acontece?

Fora o fato do medo, os adultos em geral evitam o máximo as quedas, o que os leva a acúmulos energéticos que ampliam a ação de contato do corpo ao solo, ou mesmo a contrações musculares altíssimas que podem gerar lesões. Já as crianças além de não terem essa preocupação, possuem características fisiológicas diferentes dos adultos, devido a sua fase de crescimento, onde os ossos tem menos chances de quebrar, pois possuem grande parte ainda em cartilagem, parte essa chamada de disco epifisário ou metáfise, e os músculos possuem mais elastina, proteína que gera potencial elástico, reduzindo assim as chances de lesões.

Esses são os principais motivos que fazem com que uma criança aprenda mais rápido do que um adulto, mas isso não impede que estes pós adolescentes não consigam aprender.

Se quando criança por menos que seja tenha patinado, essa informação fica guardada em sua memória motora, muitas vezes basta procurar em uma gaveta perdida da mente e passar um espanador, que logo após alguns minutos estará patinando próximo do que se lembrava, obviamente como um computador velho e sem uso alguns bits podem se perder. :-)



O aprendizado de uma pessoa está diretamente associado a sua infância de acordo com vários estudiosos da psicomotricidade, por isso quanto mais ativa for a vida do individuo, a nível motor, ou seja, atividades físicas, maior será a capacidade dela de assumir novos conhecimentos motores, devido a sua prática de troca de informação cérebro e corpo.

Todos que conseguem se locomover com seus pés podem aprender a patinar, cada um em seu tempo e dedicação, sozinhos ou acompanhados.

O nosso papel, dos professores, é simplesmente orientar de forma a reduzir vícios de movimentos e acelerar o aprendizado através de exercícios que estimulam as facetas motoras da mente, e juntamente com isso
evitar as quedas provenientes de uma iniciação inadequada.


E então, vamos patinar?

5 comentários:

Anônimo disse...

Muito legal o assunto Lyon.
Beeeijão Açúcar

Rosane disse...

Muito boa a matéria, mas vai se acostumando a colocar fonte em tudo para poder escrever artigos ;-)

cecilia disse...

A impressão q tenho é que os adultos demoram mais a se recuperar dos acidentes e isso pesa na decisão de encarar um desafio novo sobre oito rodinhas. Por outro lado, com a prática da patinação, reaprende-se a cair, como uma volta à infância. Guardando as devidas proporções, é claro. O que quero dizer que o cenário não é tão negro. Dá para ir pegando confiança e caindo melhor e aí ousando mais e caindo mais. O q não muda são os rôxos pelo corpo e os gemidos no dia seguinte de uma experiência bem radical. Mas vale. E como vale...

val disse...

Querido amigo, companheirão e marido da moça mais doce que já conheci. Siga sempre adiante com todo essa determinação e nos trazendo tantas informações tão úteis para nosso desempenho patinando!!

Camila Machado disse...

lindo o que ta escrito sobre as crianças terem a capacidade de aprendizado para patinação.
O blogger ficou muito legal Lyon.